quinta-feira, 24 de setembro de 2009

No Tom


Você foi o pássaro de verdade, não é Sabiá?
Mudou, ao lado de Vinicius e João Gilberto, os rumos da nossa música. Deu a ela uma nova cara, um molejo novo, um molejo bom chamado Bossa Nova.
Com essa carinha de "bom avô" compôs as mais lindas melodias e, segundo o Chico, "um ótimo letrista". E eu nem cogito duvidar.
Maestro soberano!
Conhecedor das etimologias; ciumento "mas não um ciúme rancoroso, um ciúme amoroso", não é Tom?
Impossível ver um piano e não lembrar de você diante de um, despejando ali toda sua emoção, toda sua dedicação! E claro, em cima do instrumento um copo de uísque.
Os macucos macacos malucos continuam por aí...O que você diria, Maestro, se visse hoje como anda a perseguição aos artistas? Se te incomodavam pq vc estava de barriga de fora, ou de chinelo, imagina o quanto você não iria se chatear com essas perseguições pra saber sobre suas composições novas, ou tirando fotos de você almoçando como se fosse algo sobrenatural?!
Meu violão se chama Tom. Homenagem? Em parte. Coitadinho do meu violão! Não tenho tempo para treiná-lo (ou treinar-me?) e lá fica ele num cantinho....Mas não se chateie! Minha filha carregará o nome mais lindo que existe graças a você: Luiza!!!!!!

Vou te contar, os olhos já não podem ver coisas que só o coração pode entender...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Voltei!

A dança do vento na minha janela anunciava a chegada de uma primavera nunca imaginada. O sons da rua se calaram diante de tão estrondoso som. Mesmo com o barulho dos carros, das obras chegando a alturas inalcansáveis, nada era comparado ao som daquele vento batendo nas madeiras.

Não suportei sua força e tive de abrir a janela. Ao contrário do que imaginava, não estava frio. O Sol irradiava pelos quatro cantos de minha casa. A vizinha da frente irradiou-se de alegria e foi brincar com seu avô. Ela tinha os cabelos dourados que chegavam a ser confundidos com os raios do Astro Maior. E ria...E ria! E era uma alegria que contagiava o catador de papel que esqueceu-se de sua miséria para, estático, ouvir o som da ternura.

O rapaz correndo parou e viu a primeira flor nascer. Era uma florzinhas comum, mas ele parou. Parou e viu ali, na sua frente a beleza emergir. Voltou rápido pra sua casa, abriu as portas da varanda, pegou seu violão e começou a tocar lindas canções.

O Sol foi embora, mas o rapaz assumiu seu lugar.

Não sei o que se passou depois, sei que dormi e a última coisa que ouvi foi "Voltei", do Baden.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Notícias de 09/09/09

Tom Jobim e Nara Leão anunciaram que estão na ativa. Sim, eles estão trabalhando em novas canções de canção do amor demais. Confessaram achar muita graça sobre a notícia de suas mortes. Segundo eles, foi bom pra tirar um sossego...
Chico Buarque anunciou que fará nova turnê. Pra quem reclamava (eu, por exemplo) que o compositor andava sumido, a notícia foi recebida com grande entusiasmo.
O Governo do Estado de São Paulo anunciou que o ensino público atingiu as notas mais altas da América Latina! E a ONU fez um levantamento muito positivo: países da África e da Ásia estão quase no mesmo patamar.
Foi descoberta a cura da Aids. Sim, após anos de pesquisa os remédios já podem ser encontrados nas prateleiras de todas as farmácias ou nos postos de saúde do Brasil e do Mundo.
Por falar em postos de saúde, não existe mais um hospital público sem macas, existem leitos de sobra, médicos para todos os tipos de problemas, recepcionistas atenciosos e pacientes...Nada comparado com as mortes revoltantes vistas durante ANOS no Brasil...
O nível de desempregados caíu.
O transporte público funciona bem em todos os cantos de país.
A Floresta Amazônica não tem mais uma árvore derrubada. A plantação de soja e a criação de gado não acabaram com o Pantanal. Recuperamos a Mata das Araucárias e a Mata Atlântica.
A expectativa de vida atingiu os 100 anos.
As crianças podem brincar na rua sem medo de serem atropeladas. No céu não se vê mais fumaça e sim um lindo colorido de pipas.
O povo lê mais. Os índices que antes não atingiam 1% foram superados, e hoje chegam a 70%.
As pessoas sorriem mais.
Há maior consciência política e social.
O preconceito foi extinto.
Já perdemos a conta de quando foi o último assassinado nessa terra verde e amarela. A família inteira pode ir ao estádio de futebol sem medo (e com preços justos!).
Não há mais divisão entre grupos de atores (antes eles eram subdivididos em "ator de teatro", "ator de cinema", "ator de novela"); hoje são puramente ATORES.
Não há mais miséria. E isso não se encerrou com a distribuição de cestas básicas ou com o auxílio de R$50,00 reais por mês. Ela chegou ao seu fim com uma educação de qualidade, e com empregos formais garantindo DIREITOS a toda sociedade.
O povo deixou de gastar dinheiro com tanta parafernalha desnecessária como celulares que realizam mil e uma funções ou com aparelhos que trituram, cortam, ralam, amassam massas, assam e ainda te servem na boca, e passou a investir em idas a bares com os amigos, ou à sinuca, ou cinema, teatro, viagens...
Vinicius de Moraes (que também foi dado como morto) estava relaxando em uma casinha muito simples lá na Bahia. E lá encontrou sua felicidade nos braço de uma mulatinha muito engraçadinha. Sim, nosso poeta finalmente encontrou sua felicidade...
Assim como o Poeta, nós podemos deitar na cama, aconchegar nossa cabeça em macios travesseiros e pensar: "Graças que tudo isso não é um sonho...."



Texto escrito após a leitura de um blog muito bacana...Poderia ter ficado melhor, mas era preciso escrever agora, depois poderia não sair com alguns detalhes importantes.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Jogando

O ínicio, o meio, o fim e o pó de pirlimpimpim.
Vejo o mar, vejo a Lua, vejo o Sol e toda a ternura.
Leio o livro, leio a revista, leio a Bíblia e sou ativista.
O trem, o vento, o vulto e o carinho oculto.
Sinto o doce, sinto a procura, sinto o medo e toda a loucura.
Ouço pássaro, ouço latente, ouço morte e veio quente.
Luto na História, luto com o bruto, luto no peito e o luto no luto.
Vou ao espanto, vou ao canto, vou de canto ao encanto.