terça-feira, 11 de maio de 2010

Let it Be


Um quarto claro iluminado pela luz suave do Sol de outono abrigava o mundo do meu amor. Encontrei-o deitado na sua cama de lençóis brancos assistindo confortavelmente ao jogo de futebol (Let it be). Eu, como não queria atrapalhá-lo, me sentei no chão aos pés da cabeceira. Mas como de minha posição não conseguia ver o jogo, que era bloqueado por seus joelhos, pedi que os abaixassem. Ele fez mais do que isso. Deu dois tapinhas do outro lado da cama. Deitei-me ao seu lado, e ele, esquecendo do jogo, ficou olhando nos meus olhos e eu nos seus durante horas. (Let it be, let it be). Seus cabelos cacheados eram tão macios que era impossível não tocá-los. Sua barriga gordinha nos fazia rir e, com as risadas, o quarto iluminava-se cada vez mais. (Let it be). Mas era nos olhos que estava toda a revelação do amor. Desviar era impossível. Ficar ali era um conforto, um esquecimento do mundo e de todos seus problemas. Nada merecia mais cuidado do que aqueles olhos (Let it be).
Depois, não sei porque, emburrei-me e voltei pro chão. Ele me abraçou, cheirou meus cabelos e esqueci daquilo que agora já nem lembro. Ficamos ouvindo as músicas da nossa infância e rindo, rindo...Nessa altura, o Sol de outono já havia se posto, mas as nossas risadas e nossos olhares mantinham o quarto iluminado.
Let it be.