domingo, 28 de fevereiro de 2010

Letras (e todo o resto)

Quando terminei o terceiro ano (2007) comecei a estudar para o vestibular. Queria faculdade pública não só pela qualidade do ensino, mas também pela mensalidade inexistente. Fiquei estudando em casa durante dois anos, junto com minha irmã. Em 2008 estudei, me dediquei à biologia, química e física. Queria Gestão Ambiental. Mesmo não sabendo nada de exatas, me esforcei e consegui chegar na segunda fase do vestibular da Fuvest. Mas daí não passei. Em 2009, já cansada de tantos números, fui para a área de humanas tentar um curso mais fácil de passar na USP: Letras. Ora, eram 849 vagas para um curso nem tão concorrido assim. Cheguei até a segunda fase de novo, mas de novo, daí não passei. Confesso que no começo escolhi o curso pela facilidade de entrar, mas depois, descobrindo o que o curso podeira oferecer, adorei, amei e descobri que não me sairia bem em nenhum outro que não fosse esse. Pois bem, não passei na USP e aí vieram todas as lágrimas e desesperos de uma vestibulanda (existe "vestibulanda"?)louca para ingressar em uma boa universidade. Aí comecei a cogitar a hipótese de fazer faculdade particular ou durante 2010 fazer cursos de teatro, línguas, violão e afins. Tive sempre do meu lado minha família e meus amigos. Em nenhum momento eles me pressionaram. Bom, alguns dias depois saiu o resultado da UNIFESP. Passei! Letras com habilitação em espanhol. Graças a Deus! O campus é longe: Guarulhos! Mais de duas horas de distância (ou trânsito). Estou muito feliz porque eu sei que terei a oportunidade de fazer aquilo que mais quero: escrever para o teatro. Projeto ousado, mas que quero que dê certo.
Espero que agora com o curso consiga escrever textos mais bacanas por aqui.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

"Sem casa, sem escola, sem roupa, sem comida"


Maria Bethânia, como todos sabem, é o símbolo maior em interpretação musical que o Brasil possui, já há alguns anos. Pra mim, a única outra grande intérprete seria Elis Regina. Mas, além da potência da voz e da presença de palco, ela tem o dom de cantar o que quiser sem se preocupar com o que a mídia ou o público irão pensar. Maria Bethânica canta desde Chico Buarque até Ana Carolina.

No começo da semana assisti a um documentário muito bacana - "Maria Bethânia do Brasil"- feito por um francês sobre ela. Nele comentou-se sobre sua infância, sua ida pra estudar em Salvador, a divulgação, por ela mesma, de algumas fotos suas de quando era criança, ela cantando "Carcará" quando substituiu Nara Leão. Tinha Caetano, Chico Buarque, Dona Canô. Um documentário riquíssimo, mas o que mais me chamou a atenção foram as palavras finais da grande Maria Bethânia.

Quando perguntada sobre o que ela sentia pelo Brasil, ela disse algo como: "Um amor profundo, enorme.Não moraria em outro lugar que não fosse o Brasil..." - E aí, uma pausa longa, reflexiva - "...Mas um desencanto também muito grande. É inconcebível pra mim acreditar que em um país como o Brasil ainda existam crianças sem casa, sem escola, sem roupa, nem comida. Eu não consigo entender!"

Nem eu, Bethânia.
Isso chama-se artista consciente. Bethânia sabe amar seu país sem ser alienante. Artista consciente e cidadã consciente.