A dança do vento na minha janela anunciava a chegada de uma primavera nunca imaginada. O sons da rua se calaram diante de tão estrondoso som. Mesmo com o barulho dos carros, das obras chegando a alturas inalcansáveis, nada era comparado ao som daquele vento batendo nas madeiras.
Não suportei sua força e tive de abrir a janela. Ao contrário do que imaginava, não estava frio. O Sol irradiava pelos quatro cantos de minha casa. A vizinha da frente irradiou-se de alegria e foi brincar com seu avô. Ela tinha os cabelos dourados que chegavam a ser confundidos com os raios do Astro Maior. E ria...E ria! E era uma alegria que contagiava o catador de papel que esqueceu-se de sua miséria para, estático, ouvir o som da ternura.
O rapaz correndo parou e viu a primeira flor nascer. Era uma florzinhas comum, mas ele parou. Parou e viu ali, na sua frente a beleza emergir. Voltou rápido pra sua casa, abriu as portas da varanda, pegou seu violão e começou a tocar lindas canções.
O Sol foi embora, mas o rapaz assumiu seu lugar.
Não sei o que se passou depois, sei que dormi e a última coisa que ouvi foi "Voltei", do Baden.
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